Na obra-prima do diretor japonês Kenji Mizoguchi, acompanhamos a vida de dois casais pobres, habitantes de uma pequena vila, no Japão feudal.
Vivendo ao meio de guerras, invasões e miséria, eles se sustentam com o pequeno comércio de objetos de porcelana que um dos casais produz junto com a esposa. Enquanto os homens (Genjuro e seu cunhado Tobei), insatisfeitos com essa vida, querem crescer socialmente (um sonha em se enriquecer aumentando e melhorando sua produção o outro sonha em ser samurai e ter alto prestígio social), as mulheres (Miyagi e Ohama) não se importam em continuar naquela vida, contanto que tenham o amor da família unida, que vive e trabalha junto de maneira bonita.
Logo no início do filme já nos é anunciado por um ancião da vila o que será daqueles homens, quando é dito que ‘a ganância gera ganância’, colocando como um processo de vício sem fim essa busca por prestígio e dinheiro.
Ao longo do filme os homens seguem cada vez mais cegos em busca de suas fantasias, sem perceber que estão perdendo toda a realidade que já têm, deixando as esposas, a casa e o filho para traz, num processo que encaro como uma decadência na busca da suposta ascendência.
Genjuro, após colocar em risco a vida de toda família para não perder seu produto durante uma invasão a vila, acaba vivendo na ilusão da companhia de uma moça de família, vivendo em uma mansão com ‘prazeres que nem sabia que existiam’. Nessa ilusão vive todo o luxo que queria, sua arte tem o reconhecimento que sonhara e sua vida não tem sofrimento. Mas em nada disso há realidade, se esquece do amor da esposa e do filho que te esperam em casa, pois fica cego com aquela fantasia, que não sabemos até que ponto é uma feita pela morta para atraí-lo para seu mundo e o que daquilo é a ilusão de sua própria cabeça, sua própria loucura da busca desenfreada pela riqueza.
Tobei, após conseguir as primeiras moedas, abandona a esposa para ir correndo comprar armas e armadura. Num golpe de sorte consegue a cabeça de um grande samurai e, criando uma ilusão tão grande quanto a do cunhado, inventa sua própria realidade, na qual ele matou em um duelo aquele homem forte. Dessa maneira consegue vassalos, cavalos e prestígio, alcançando através de sua invenção sua grande ânsia.
Quando os dois finalmente escapam de suas ilusões, se esquecem que a vida real não para, não te espera para seguir seu rumo. Ambos esperam voltar para as esposas, deixá-las felizes com roupas, com o nível social que chegou e com sua volta em si. Mas suas esposas já não são as mesmas, a vida seguiu, e cada uma tentou acompanhá-la à sua maneira, sozinhas e, por isso, nos seus passos tortos, perdidos em suas desilusões com o mundo.
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