terça-feira, 5 de abril de 2011

A imprevisível previsão de Cléo

Ao iniciar o filme com um jogo de tarô Varda nos traz informações do passado da personagem Cléo, nos faz compreender seu momento presente e ainda revela como irá seguir seu futuro. Assim, nos primeiros minutos do filme, achamos que já sabemos quem é aquela personagem, e tudo o que irá acontecer com ela ao longo do dia deixando o roteiro muito fechado e, aparentemente, previsível.

O filme segue filmando as duas horas seguintes a essa previsão, enquanto a personagem espera o resultado de um exame, e, esperamos que nesse meio tempo ocorra todas as profecias da cartomante.

Porem, a diretora marca na maneira de se mostrar esse tempo que seguimos a personagem, explicitando seus conflitos e angústias. Muitas vezes temos auto-reflexões da personagem sobre o que ela é, suas atitudes e devaneios, mas não esquecendo de mostrar o corriqueiro da personagem, atos pequenos, sem significado, que humanizam ao extremo sua personalidade.

Dessa maneira, aquilo que antes era previsível ganha uma esfera muito maior. Surpreendendo-nos o tempo todo pela autocrítica da personagem, suas relações com a cidade e os habitantes. Vemos a cidade de Paris sobe seus olhos, algumas vezes parecendo um lugar sombrio e triste outras como um local alegre e espontâneo. Deixando a obra, que parecia muito simples, algo com uma dimensão enorme, que engloba toda a visão de mundo daquela mulher “sentenciada” a morte, a desilusões e ao amor.

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